Eu quase poderia descrever desta forma o período que eu passei fora do Brasil, sendo pratico e talvez “frio”, mas certamente esse é apenas um dos inúmeros dados que eu poderia citar.
Estar de volta ao Brasil foi realmente emocionante e diferente de tudo que eu poderia imaginar tendo em vista como tudo está igual, mas diferente!
Eu sinto falta de tudo da Suíça, e nem imaginei que seria tanto. Da comida, a tranqüilidade, às pessoas, “meu” quarto... Tudo esta vivo na minha cabeça e fica a impressão constante de que eu estou de férias no Brasil e logo vou voltar.
Realmente eu não descarto a possibilidade, mas não dá pra ser assim, eu sabia que eu tinha que voltar, não apenas pelo tempo legal de permanência, mas também porque eu sabia que só daqui eu saberia enxergar aonde eu quero estar.
Fez um mês que eu cheguei ao Brasil e teve que passar este tempo para que eu pudesse sentar e escrever. Em um mês eu mudei de cidade – Santos p/ São Paulo – e fiz mais de dez entrevistas de emprego – começo a trabalhar até o final da semana – e arranjei um lugar pra morar, quase ia me esquecendo deste detalhe!
São Paulo nunca foi meu sonho, de verdade, mas de alguma forma estando aqui eu me sinto mais perto do mundo, do aeroporto (hehe) e das oportunidades. Aqui é tudo um exagero, beleza, feiúra, extraordinário e ordinário. Grandeza é pleonasmo. A cidade é dramática.
Eu tenho medo, tremo ao atravessar grandes ruas e me esforço para que ninguém note. Entretanto em muitos momentos parece que estou em outro lugar e até penso que estou na “minha” cidade.
Chegar ao Brasil como eu já disse foi constatar que nada mudou, mas que tudo está diferente. Eu senti falta de muita gente e fui recebido muito bem de volta, mas é inevitável perceber que estamos todos em lugares diferentes da vida e que a saudade anestesiou e a convivência se fez desnecessária.
Eu sinto falta de uma casa que eu deixei pra traz há onze meses a trás e que hoje não existe mais. Essa falta não me machuca ou agride porque da mesma forma que aquela casa se foi, aquele Bruno também não voltou e talvez casa agora seja o lugar que eu me senti totalmente seguro pela ultima vez e acho que nem preciso escrever aqui onde é.
Cada dia que passa e que eu conheço meu novo bairro eu gosto mais dele e me convenço de que morar aqui pode ser melhor do que eu posso imaginar e me conforta ainda mais saber que é assim, que o melhor está sempre por vir.
Ainda tem muitas pessoas que eu quero ver e aproveitar e sair com, espero que todos entendam que o fluxo do rio é forte e remar ao contrario exige esforço e disposição, eu não abandonei nada ou ninguém...
O que vai ser daqui pra frente? Não sei, sinceramente, existem planos, e existe sensibilidade pra saber que todos eles podem ser furados, mas enfim muitas vezes errar o caminho nos proporciona uma melhor vista e de repente nos perguntamos: quem disse que este caminho que está errado?
XOXO
Bruno.